É evidente que não se pode esperar que o crédito possa crescer indefinidamente, a uma taxa superior à do incremento da renda. Mas há razões que explicam porque não ocorreu aumento da inadimplência, apesar do descompasso entre o crescimento da renda e do crédito.
A primeira delas é que o volume de crédito passou a ser distribuído para um número maior de pessoas, que, graças ao aumento da renda, passaram a ter acesso a ele. Cerca de 30 milhões de novos consumidores de baixa renda, com endividamento muito baixo, foram incorporados ao mercado de crédito.
Deve-se destacar, também, que a maior expansão do crédito para as pessoas físicas vem se verificando em linhas com algum tipo de garantia e, portanto, com menor risco de inadimplência.
O crédito para veículos respondeu em julho por 31,5% do total, o consignado por 23,3% e o imobiliário por 21,5%. Apenas 23,8% do crédito aos consumidores era sem garantia.
No estudo elaborado pelo Instituto de Economia da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), é demonstrado que o grau de endividamento das famílias em relação à renda passou da casa dos 29% em janeiro de 2008 para 36% em junho de 2010.
O mesmo levantamento calcula o comprometimento da renda familiar com prestações em torno de 18%, bastante próximo da estimativa obtida a partir da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), que foi de 17,4%.
Esses dados parecem indicar ainda haver espaço para o crescimento do endividamento das famílias.
Outro ponto a ressaltar é o de que a principal causa da inadimplência, segundo pesquisas realizadas desde 2005 pelo SCPC, é o desemprego, que vem registrando seguidas quedas nos últimos meses.
Com isso, os indicadores têm mostrado que a inadimplência das pessoas físicas está estável, apresentando apenas variações sazonais.
Esses dados permitem traçar um cenário bastante favorável em termos de expansão do crédito e da inadimplência para os últimos meses deste ano, o que deve propiciar bom desempenho para o varejo.
Com relação a 2011, é de esperar uma taxa mais moderada de expansão do crédito, em função do alargamento da base e, também, como reflexo das elevações da taxa de juros básica, a Selic, efetuadas pelo Banco Central, mas ainda com crescimento superior ao da massa salarial e da própria economia.
Como a perspectiva em relação ao PIB é de crescimento, embora um pouco menor do que o deste ano, também o emprego deve continuar crescendo, assim como a massa salarial, o que permite esperar um ano relativamente tranquilo quanto à inadimplência, desde que não ocorra mudança abrupta na política monetária ou dos juros.
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